Culpa das mulheres…

Sempre é uma luta sair de casa.

Aos homens, casados ou não, cabe esperar impacientemente pela boa senhora (ita) que não sai de casa em menos de uma hora.

Às mulheres, cabe o trabalho e o estresse de ter que se lembrar de todos os detalhes antes de sair.

Quem está certo? Quem está errado? Quem sofre mais com isso?

Comparando a maneira como homens e mulheres preparam-se para sair, mesmo que seja uma saidinha rápida, temos duas situações:

1 – Como o homem se arruma (um não metrossexual, nem coisa que o valha, creio eu):

• Toma banho;
• Faz moicano com o cabelo no chuveiro;
• Arruma a barba;
• Termina e sai do banho jogando tudo pelo caminho. Ou sai colocando as coisas no lugar, mas sempre jogando rapidamente cada coisa em seu lugar;
• Abre o guarda- roupas e pega uma calça, uma blusa, uma meia com o mínimo de senso e bom gosto;
• Cata um sapato;
• Passa um creme, ou gel, ou pomada e penteia como de costume (ou despenteia, dependendo do corte);
• Pega a carteira e as chaves e sai.

2 – Como uma mulher se arruma (todas):

• Verificar se a unha está boa, o cabelo, a depilação e a roupa estão em dia, no mínimo, 3 dias antes e marca salão e shopping com as amigas;
• Lingerie, meia-calça, bijou novas;
• Se for casada, tentar por toda a casa em dia para ter um tempinho apertado no meio da semana para as tarefas de cuidados pessoais;
• Se for casada e com filhos, desiste e reza pra alguém ir a casa dela fazer isso, mas, sempre a pessoa do salão a domicílio está com a agenda lotada. Então, ela se cuida no meio da madrugada quando acorda mais cedo pra dar um jeito de ultima hora, ou chama uma amiga pra ajudar;
• Se for marcado de última hora, desespero total. Correria. Pranto e ranger de dentes. Mas a gente sempre aparece linda no final. O preço é a demora;
• Dia do tal evento. Correria. Pranto e ranger de dentes. Desespero frente ao guarda-roupas, closet ou o que quer que seja;
• Para as casadas e com filhos, arrumar as crianças e as coisas delas, se elas forem junto. Se não forem, esperar a babá chegar, ou levar para o baby hotel a tempo;
• Passar creme e perfume na gente (e nas crianças se for o caso);
• Catar bolsa, apagar as luzes, por o cachorro pra dentro, a água pro gato, desligar os aparelhos, gritar com as crianças, carregar as coisas pro carro, pegar as chaves, lembrar dos casacos e voltar pra buscar, perceber que está saindo de pantufas (ou de touca que foi colocada para não estragar a escova antes da hora) e voltar louca esbaforida pra trocar/tirar, dar mais uma passada no espelho e ver que a toalha molhada ficou na cama, daí lembrar que não tem gasolina nem água no radiador, reclamar do cabelo, retocar a maquiagem pela milésima vez, sair vistoriando janelas, portas, torneiras, trancas e cadeados, ficar cansada e pensar em desistir;
• Sentar no carro, abrir um sorriso, respirar fundo e acreditar que vai se divertir muito se conseguir sublimar a calcinha enfiada, a cinta apertada, o sapato altíssimo e a maquiagem que deu alergia;

Muitas outras coisas, dependendo da vida de cada uma, ainda permeiam a via crucis que é sair de casa. Dentre essas coisas, muitas poderiam ser deixadas de lado sem maiores problemas, outras não. Para as que vivem com seus namorados, maridos, companheiros, bastaria pedir ajuda ou simplesmente deixar como está. Eles vão notar que falta algo. E tomarão uma atitude. Mesmo que seja reclamar. Daí, a gente faz charminho, ganha beijo, carinho (talvez uma deliciosa rapidinha) e se preserva o suficiente para se manter linda e perfumada sem mover uma unha postiça ou enrugar um milímetro do caríssimo botox enquanto o nosso amado entra na nossa rotina e percebe que não é tão fácil.

No dia em que me arrumei primeiro e deixei tooodas as outras coisas que se deve preparar antes de sair para o digníssimo fazer, consegui:

-sossego;
-atraso de quase uma hora;
-um homem hiper estressado e irritado antes de entrar no carro por ter que arrumar e preparar tudo sozinho;
-uma criança feliz da vida em volta do papai;
-mais cooperação mútua na hora de arrumar as coisas para sair de casa;
-mais compreensão na hora de preparar as coisas para sairmos;
-mais harmonia e menos estresse ao longo do tempo;
-descobri que devo aprender a delegar e pedir ajuda em vez de sair fazendo as coisas como todas as mulheres fazem e depois levam a culpa pelos atrasos;
-Tive mais tempo para ficar mais bonita ainda e bem arrumada;
-Aprendi a regra das aeromoças na prática: “Cuide primeiro de você para que esteja bem na hora de cuidar de quem você ama. Caso contrário, morrerão ambos.”;
-Descobri que atraso é falta de planejamento e organização familiar ou pessoal.

Dessa forma, a principal lição para nós mulheres é a seguinte: Atraso, muitas vezes, é falta de organização emocional entre o casal. É querer que o outro adivinhe o que vai na nossa cabeça e tome uma atitude. É querer que o outro se torne responsável pelas nossas dores e dificuldades sem que ele ao menos tenha a chance de saber o que está acontecendo. Pura falta de diálogo.

Quando solteiras, queremos que o pobre cidadão tenha paciência sem que ele conheça nossa rotina e dificuldades. Quando casadas, pensamos que o ilustre digníssimo nos compreende por osmose.

Rotina é ruim? Mas, e levar a culpa por algo que não é exatamente um problema e sim uma falta de planejamento e organização?

A culpa, na verdade, não é de ninguém. Porque a mulher, ao demorar, está cuidando com carinho de todos os detalhes. E o homem, ao ser tão prático e rápido, está se disponibilizando para o que for necessário de modo que os bons momentos juntos cheguem o mais rápido possível. Por isso mesmo que a necessidade de diálogo e organização do casal é importante para que ambos, a seu modo, tenham um motivo a menos para brigas e discussões.

Organizar a vida a dois é garantir que os pequenos cupins do dia-a-dia não corroam o relacionamento diariamente. São os pequenos atos que corriqueiros que destroem uma vida a dois, não a sirigaita (ricardão) que entrou “do nada” na sua vida para destruir seu relacionamento.

Atrasou? Descubra onde mais está faltando chegar na hora certa. Pode ser no diálogo, na possessão, no ciúme de tudo e de todos, na desconfiança e insegurança quanto à delegação de tarefas e confiança no outro…

Cada um tem seu calcanhar de Aquiles. O negócio é descobri-lo, perder o medo de desnudá-lo frente ao parceiro ou parceira e encontrar a melhor saída juntos.

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