Do Lado de Cá do Implante – A Bateria

Olá, pessoal…

Estava vivendo.
Vocês sabem que sempre aproveito as férias, fins de semana e períodos de folga para viver. Faz bem. Tente!

Bom,

Vou contar uma coisinha ou outra, porque tivemos a oportunidade de viver muito desde dezembro e tem muito o que contar. Mas, esta vivência vale a pena destacar.

Nosso querido amigo-irmão Diego e padrinho do filhote que chega em maio, deixou lá em casa uma bateria elétrica para que o nosso recém-implantado pudesse ir treinando a nova acuidade auditiva com música.
Resultado: Nossa pequenita roqueira, de dois anos de idade, apaixonou-se pela bateria e já sabe ligar, regular e tocar “magistralmente” (imagine…)

Mas, o que realmente impressionou foi o que aconteceu com o Emanuel. Ele é extremamente treinado em leitura labial e observação. Sempre tocou pandeiro e bateria, desde os tempos das panelas e pratos da mãe dele, na cozinha…Aprendeu vendo os vídeos na tv e copiando os movimentos. Sabia que estava funcionando por causa da vibração do som (e quando ninguém reclamava que tava ruim…). Foi treinando nesse método até conseguir ser um bom sambista. (Aline McCord e Nemias que o digam). Por isso mesmo, esmerou-se em arranjar um DVD que ensinasse a tocar instrumentos de percussão para observar e aprender a tocar a tal bateria.

Pois bem. De uns tempos para cá, eu, que gostaria de ter olhos maiores para observar melhor e aprender mais, pude perceber que ele não tem mais usado a visualização e o treino para tocar a tal bateria.

Claro, isso rendeu mais um episódio feliz em nossas vidas. Foi assim:

Eu:
– Tá fazendo o quê, Emanuel? Pra que essa cabeça inclinada sobre a bateria?

Emanuel:
– Olha que legal!! Tou tocando de ouvido!! Quer dizer, de IMPLANTE!!

É que ele apanhou para caramba da tal bateria… Copiava os movimentos que via no DVD, mas o som não era igual. Treinava, regulava o troço, mexia e nada!

Até que resolver virar a cabeça, do lado esquerdo, onde está o implante, para ouvir melhor o som. Descobriu como prestar atenção e reconhecer novos sons, produzir outros e agora já está com ritmo e produzindo algo que tenha mais musicalidade do que barulho (Thanks God!).

Lalita fica em torno dele dançando e brincando de bater cabeça como os roqueiros. Logo depois, reinvindica sua vez de tocar e lá ficam eles a tarde toda nisso.

No pandeiro a coisa está também nesse pé. E agora, percebendo as variações de som, tem inventado mais no instrumento.

Testa, treina, experimenta, descobre, canta. A música tem tido um sabor mais delicioso para ele(s).

Quanto à mim, não tenho mais o que fazer, senão aproveitar esta oportunidade que muito antropólogo aproveitaria melhor que eu, mas que sou eu quem tem a chance de acompanhar.

São tantas coisinhas sutis que fazem juntas uma diferença descomunal…
É incrível!

Então é isso!

Depois volto com as fotinhas e o vídeo do Samba da Ativação e “otras cositas más”.

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