O Pequenino das Coisas e a Grandiosidade delas.

Novamente, faz um bom tempo que não venho aqui.

Tenho parado para observar e absorver um pouco mais do mundo e percebido o quanto eu ligada ao Pequenino das Coisas.

Eventos grandiosos e muito importantes aconteceram na minha vida sem que eu contasse aqui porque era necessário digerir todas elas, asserenar em mim o quanto todas essas coisas foram importantes e colocar cada uma em seu lugar especial em meu coração.

Eu tive um filho lindo… E o pai dele pôde ouvir seu primeiro choro, acompanhar ouvindo os seus primeiros momentos.

Eu acompanhei os primeiros momentos de audição de alguém que pasou a vida inteira sem escutar nada. Acompanho a grandeza e a beleza de cada lágrima toda vez que um som pequenino e comum o emociona e o faz sorrir por entre os olhos molhados.

Agora, posso ver os olhos de minha filha brilhando de alegria porque o irmãozinho vai junto com ela para a escola. E acompanha suas lágrima todas as manhãs, preocupada porque o irmão estava ficando para trás.

Minha vida tem sido uma sucessão de maravilhas e belezas de valor incalculável. Pequeninas coisas de Grandeza superior a muitas estrelas. E nunca tive oportunidade de ser tão grata como agora.

Se, em algum momento, eu pudesse dizer que fui verdadeiramente feliz, este momento é agora. Porque aprendi o valor do pequenino das coisas. Porque me abri para enxergá-lo. Porque aprendi o tamanho real dos meus problemas e como a aparente grandeza deles é ilusória. Muitas vezes, não se trata apenas de paciência. Trata-se, na verdade, de saber ver. Saber olhar de cima.

A disposição mental de construir um ambiente de paz e de gratidão ajudou-me muito. E parar um pouco pra curtir o que ja foi conquistado é como parar de mexer na água suja para que ela repouse e possa filtrar o lodo e a sujeira.

 

Eu aprendi que sou melhor quando calo. Mas gostaria de dizer que sou uma deslumbrada. Eu gosto mesmo de descobrir o pequenino das coisas. Aquilo que é preciso um fato grandioso para despertar o nosso olhar. Então, determinadas situações, palavras, cenas, acontecimentos, a própria vida me dá a medida exata do pequenino das coisas causando grandes transformações na vida das pessoas, na tua vida…

As lágrimas diárias do Lobo ao ouvir determinados sons, a maneira como o som está mexendo com a sua vida… A vida de meus pequeninos e dos grandes à minha volta…

Eu escolhi viver esse microcosmo. Reconhecer nele o meu espelho e ver nele o que preciso fazer para corrigir em mim o que for preciso para manter o equilíbrio e a felicidade que tenho tentado construir, agora de dentro para fora. Mudar a visão e as ações para ser mais consciente e mais correta no meu viver e proceder.

Ainda estou em início de jornada, mas a jornada por si só já é um pequenino grandioso.

 

É isso. Creio.

 

Do Lado de Cá do IC – Chegaram os Cabos

Novidades cocleares quentinhas: Hoje a tarde chegou uma encomenda da Cochlear pelo correio. Recebi, mas não abri.

Agora, faz uns 40 minutos que meus amores chegaram (chegaram 19h40 por causa do transito…) e eu não pude gravar o “unboxing”, como diz Ricardo Mallen, porque a porcaria da bateria do celular e da camera foram pro beleléu, mas, enfim, chegaram os fios que possibilitam saber COMO o Lobo ouve.

GENTE!! É SURREAL!!! Tem ainda um pouco de eco, meio baixo e precisa de um pouco mais de definição para algumas tonalidades, mas é igualzinho ao que ouvimos!!!

Também chegou o cabo para ligar em celular, tv, Iphone, radio, computador e… BATERIA!!! (que ele já testou em todos.)
#ThanksGod.
Ele agora tá lá na bateria batucando feito um doido e tá tão silencioso em comparação com a batuqueira que era aqui em casa… Diego De La Vega tu tem que vir aqui pra ver isso…

E eu, que estou num dia “manteigão”… Já fiquei com os olhinhos marejados aqui… Principalmente na hora em que Laurinha estava com os fones ouvindo como é que é o som que o papai escuta… Depois tiro umas fotos dos cabos que chegaram e de como são utilizados.

É isso, amados! Agora ele vai começar a ouvir os seriados dele com o fone. Certamente vai voltar a tentar entender o inglês. Agora com muito mais sucesso!!!
#BãoBisurdo !!!

Obs.: E ele tá aqui enfiando o tal cabo do fone no pc e quer um barulho pra ouvir… #Sinhoradabadia
Obs.2: Ele conseguiu conversar por mais de 20 minutos com o Diego De La Vega pelo google talk SEM AJUDA !! Claro que rolou uma dor de cabeça enorme no final, mas ele ficou muito feliz com isso.

Espera

De vez em quando me dá uma ânsia que não se expõe em palavras. Uma urgência e uma ansiedade que só se esvai no texto poético. Não que eu seja poetisa. É que o costume da antiga solidão deixou sequelas. Creio que boas. E sentir se torna escrever.
Hoje sinto a gravidez. E não posso explicá-la de outra forma. Segue o texto

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Do Lado de Cá do IC – Alegrias Ocultas

Sabe aquelas coisas que fazem o passado ser “um tempo bom que não volta mais”?

Sabe quando você esquece tudo o mais, mas sempre tem aquela lembrança boa de uma coisinha boba, um acontecimento sem maiores proporções que atualmente é o que traz a nostalgia?(para os que não sabem, eis a diferença entre “mais” e “mas”. Hehehehe)

E quando você pensa: “Nooossa… Eu era feliz e não sabia…”, ou “Mas como uma coisa tão boba na época, hoje me parece tão gostosa de lembrar…”

Pois é… Essas são as chamadas Alegrias Ocultas. Aquelas que, singelas e quase silenciosas,  passam despercebidas, porque não somos acostumados a prestar atenção no que é realmente importa, só no que é apoteótico e luminescente.

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Do Lado de Cá do Implante – A Bateria

Olá, pessoal…

Estava vivendo.
Vocês sabem que sempre aproveito as férias, fins de semana e períodos de folga para viver. Faz bem. Tente!

Bom,

Vou contar uma coisinha ou outra, porque tivemos a oportunidade de viver muito desde dezembro e tem muito o que contar. Mas, esta vivência vale a pena destacar.

Nosso querido amigo-irmão Diego e padrinho do filhote que chega em maio, deixou lá em casa uma bateria elétrica para que o nosso recém-implantado pudesse ir treinando a nova acuidade auditiva com música.
Resultado: Nossa pequenita roqueira, de dois anos de idade, apaixonou-se pela bateria e já sabe ligar, regular e tocar “magistralmente” (imagine…)

Mas, o que realmente impressionou foi o que aconteceu com o Emanuel. Ele é extremamente treinado em leitura labial e observação. Sempre tocou pandeiro e bateria, desde os tempos das panelas e pratos da mãe dele, na cozinha…Aprendeu vendo os vídeos na tv e copiando os movimentos. Sabia que estava funcionando por causa da vibração do som (e quando ninguém reclamava que tava ruim…). Foi treinando nesse método até conseguir ser um bom sambista. (Aline McCord e Nemias que o digam). Por isso mesmo, esmerou-se em arranjar um DVD que ensinasse a tocar instrumentos de percussão para observar e aprender a tocar a tal bateria.

Pois bem. De uns tempos para cá, eu, que gostaria de ter olhos maiores para observar melhor e aprender mais, pude perceber que ele não tem mais usado a visualização e o treino para tocar a tal bateria.

Claro, isso rendeu mais um episódio feliz em nossas vidas. Foi assim:

Eu:
– Tá fazendo o quê, Emanuel? Pra que essa cabeça inclinada sobre a bateria?

Emanuel:
– Olha que legal!! Tou tocando de ouvido!! Quer dizer, de IMPLANTE!!

É que ele apanhou para caramba da tal bateria… Copiava os movimentos que via no DVD, mas o som não era igual. Treinava, regulava o troço, mexia e nada!

Até que resolver virar a cabeça, do lado esquerdo, onde está o implante, para ouvir melhor o som. Descobriu como prestar atenção e reconhecer novos sons, produzir outros e agora já está com ritmo e produzindo algo que tenha mais musicalidade do que barulho (Thanks God!).

Lalita fica em torno dele dançando e brincando de bater cabeça como os roqueiros. Logo depois, reinvindica sua vez de tocar e lá ficam eles a tarde toda nisso.

No pandeiro a coisa está também nesse pé. E agora, percebendo as variações de som, tem inventado mais no instrumento.

Testa, treina, experimenta, descobre, canta. A música tem tido um sabor mais delicioso para ele(s).

Quanto à mim, não tenho mais o que fazer, senão aproveitar esta oportunidade que muito antropólogo aproveitaria melhor que eu, mas que sou eu quem tem a chance de acompanhar.

São tantas coisinhas sutis que fazem juntas uma diferença descomunal…
É incrível!

Então é isso!

Depois volto com as fotinhas e o vídeo do Samba da Ativação e “otras cositas más”.