Desejo

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Desejei de coraçâo à duas recém casadas o que escrevo abaixo. Mas, creio que isso sirva a todas as pessoas, em todos os campos da vida.
Então, de minha própria autoria, lá vai o que lhes desejo para hoje e sempre. Para a vida.
Que vocês trilhem seu caminho plantando árvores e flores. Para que tenham tronco  e frutos, perfume e relva, brisa e sombra, nectar e beleza para todas as vezes em que o caminho à frente se tornar àrido e difícil. Então, a beleza do caminho já trilhado, lhes fará fortes por saber que tudo pode ser tornado melhor; Lhes fará tranquilas, por saber que podem parar e se amparar um pouco no que já foi feito e renovar o ânimo, reabastecer o Coração e a Alma; Lhes fará abrigo seguro, na certeza de que tudo foi obra de suas próprias mãos e que essa história nunca mais será escrita outra vez, mas será lida e relida, contada como a mais bela história de amor de que já se ouviu falar. Está nas suas mãos. Escrevam!

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Marketing nas Eleições, Nós e as Crianças – Oportunidades Educativas

Todo ano eleitoral é a mesma coisa.
Escolhe-se um público alvo de acordo com o último tema em voga, ou a situação mais discutida pelo País no ano anterior.

Esse nicho da sociedade, normalmente um número expressivo de cidadãos que tenha conquistado direitos durante o intervalo de quatro anos, eleito os candidatos mais badalados, polêmicos e, principalmente, que tenham arrastado mais correligionários consigo por causa dos números de votos dessa parcela social, transforma-se em bandeira de uma quantidade maior de candidatos no ano eleitoral seguinte.

Em decorrência desses fatos, acontece de o Partido, ao perceber a força eleitoral e política daquele público, dar, finalmente, o aval necessário para que o assunto seja defendido, ou combatido, ambos veementemente, pelos seus candidatos afinados positiva, ou negativamente com aquela causa em questão.

É um faro político e marqueteiro muito fino, que culmina frequentemente em “assunto da moda” nas campanhas e debates eleitorais. Claro que há outros assuntos pesquisados, defendidos e debatidos, no entanto, sempre há aquele que supera em muito o número de comentários e interesse público partidário.

Houve ano em que “o combate aos marajás” ganhou as eleições. O resultado economico e moral negativo dessa escolha foi o tema do embate seguinte. Já no próximo ano eleitoral, foi o resultado socioeconomico positivo da atual escolha baseada no resultado econômico-moral anterior, que motivou as mudanças de estratégias políticas do período de eleições seguinte, resultando em reeleição. Esta mesma estratégia foi usada como faca de dois gumes no próximo embate e trouxe como resultado, o primeiro Presidente operário do mundo (é o que dizem). A partir daí, por estratégia muito bem usada na prática conhecida como populismo, vieram retornos extraordinários nas duas eleições seguintes, resultando em reeleição do Presidente anterior e em escolha da primeira Presidente(a) – diga-se de passagem, impossível concordar com esse erro de Português, nem com O Decreto, embora seja um golaço de marketing político -, manteve o mesmo partido no poder há mais de dez anos e tem a liderança nas pesquisas atuais.

No entanto, embora o continuismo da aposta temática atual esteja dando certo, o assunto da vez refere-se aos homossexuais( e toda a sigla, que sempre fica errada, embora eu tente. Perdão), suas conquistas e embates nos campos políticos, os reflexos dessas conquistas no âmbito social, político, eleitoral, dentre tantos outros, e o impacto disso entre todos os brasileiros heterossexuais, ou homossexuais.

Claro que os partidos vieram movimentando-se ao longo do tempo, de acordo com suas convicções políticas e religiosas (Estado Laico, oi?), criando, apoiando, divulgando, votando Leis, gerando situações, opiniões e confusões de toda ordem e alcance internacional a respeito do assunto.

Trouxe à tona Kokays, Jeans, Martas, Marinas, Lucianas, Bolsonaros, bancadas religiosas (Laico… Sei.), estratégias políticas estranhas que resultaram em Pastor Feliciano como Presidente da Comissão de Direitos Humanos (a mais desacreditada e polêmica – mais que mamilos – de todos os tempos), dentre tantos outros que não cabe aqui julgar, apenas citar os mais famosos e atuantes de acordo com suas convicções. Sendo, o último e mais polêmico personagem, aquele que assumiu em Rede Nacional o compromisso sério e verdadeiro de, como Presidente de uma Nação Inteira, legislar somente para a parcela dela que concorda com ele, inclusive afirmando querer “essas pessoas com esses problemas longe daqui”: Hitler.
Digo, Edy Fidelix.
Não! “Péra”!! Levy Fidelix.

Dessa forma, o assunto “Sexualidade, Orientação Sexual e Desrespeito Violento à Vida dos Outros” tornou-se a vedete do horário eleitoreiro, digo, eleitoral. Entra em nossas casas mentais por diversas mídias, cobra-nos uma posição à respeito e atinge diretamente àqueles que não deixam passar nada sem o constante “porque” saltando-lhes por todos os poros: as crianças.

Oportunidade única de esclarecimento consciente (aquele de informações adequadas, simples livres de preconceito e ideias ocas, verdadeiras e precisas, inclusive sobre todas as opiniões que envolvem o assunto), ou de formação em massa de Pequenos Bullies Xiitas, que mais tarde serão agressores cheios de razões, estupradores em nome de uma causa, assassinos em nome de Deus e da Família Brasileira.

Crianças não precisam de informações tão detalhadas em tenra idade. Mas, devem aprender desde cedo que algumas meninas são mais Viris e alguns meninos trazem consigo uma Sensibilidade de Alma maior e isso merece todo nosso respeito (e proteção, se necessário).

Crianças devem aprender que não é obrigatório concordar com o comportamento – o que não tem nada a ver com Orientação Sexual. Esta não é questão de gosto, escolha, ou opinião. Existe e pronto. – de ninguém. Nem aceitar algum ato exagerado, seja de heteros ou homos, que o incomoda, fere seus conceitos morais, ou sua religião. Mas, mesmo assim, conversar civilizadamente, respeitar os direitos do amigo(a) que traz sua orientação sexual heteronormativa ou homonormativa latente. Procurar debater sobre os deveres, direitos e limites de cada lado com educação, respeito e escuta sincera, bem intensionada, é uma lição de cidadania que servirá para todos os campos da vida dessas crianças, sejam elas de orientação homo ou heterossexual. Isso tem que ser mútuo. Constante. Diário.

Crianças tem que aprender a diferença entre Crítica, Opinião Pessoal, Bullying e Crime. E que o que não se deseja para si, não se faz com os outros.

Crianças precisam ter explicações corretas sobre Política, Políticos, politiqueiros, Vida Pública, Bem Comum, Direitos e Deveres… Tudo aquilo que aprendíamos em OSPB -Organização Social e Política do Brasil – muito meia boca, mas, pelo menos, tínhamos noção.

Crianças merecem saber (entender, só se tiver um sábio por aí que já conseguiu) que os adultos ensinam o que não fazem, mas, estão tentando e elas são a esperança de que essa tentativa dê certo.

Crianças precisam saber que Política é também para elas, por elas e precisa da participação delas. Porque Política se faz todos os dias.
Não só em Ano de Eleição.

Os marketeiros já sabem disso há tempos…

Oasis

Se era essa a dor que faltava.
Abro o peito e sangro.
O amor atingido arfava
E nos olhos o pranto.

Amarrados, mãos e pés
Não o livraram do abismo
Nem duvidosas fés
O deixaram submisso

Sangria de desespero
Pela dor de outrem
Coração fora do peito
Pela flor de ontem

Desabrocha minha bela
No deserto onde te encontras
Sê Oasis nas favelas
E alívio sobre as ondas.

“É que o som Invade a gente”

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“Posso me apaixonar pelo som das palavras”

 

Este é nosso último dia no Rio de Janeiro.

Para mim e as crianças, férias. Para o nosso Cyborg, trabalho intenso no computador e horários definidos na agenda para nos acompanhar em alguns passeios.

Para nós dois, um período intenso de trabalho interior e exterior. O melhor de nossa vidas, ao lado das pessoas que amamos muito.

Um período muito feliz.

Sonoramente, um período riquíssimo de descobertas, redescobertas, experiências e deslumbramentos sonoros, como diz a querida Lak Lobato.

Foram sons dos mais diversos tipos e eu tive a gratíssima oportunidade de acompanhar, de aprender a diferenciar quando era um som novo, quando era uma experiência nova com um som já conhecido, ou quando eram as duas coisas juntas. O olhar muda. A expressão corporal entrega o interesse. E o sorriso completa a ação de ouvir, reconhecer, experimentar pela primeira vez um determinado som. As mãos se movem como se aquela vibração pudesse ser tocada em vez de tocar o corpo ainda que não se queira.

Os sons mais tocantes para ele foram: o mar, o sino da igreja da matriz, os passarinhos do quintal, o áudio dos vídeos que ele precisava assistir para realizar seu trabalho, as vozes das criancas brincando, o latido dos cachorros da casa dos meus sogros, a voz fraquinha do avô dele já com 80 anos, mas tão doentinho e fraco…

No entanto, creio que a melhor das descobertas foi quando ele concluiu uma experiência dessas dizendo:

“Mas é que o som invade a gente, né? Eu pensava que era só a vibração dele no nosso corpo, mas não. Com o olhar, podemos desviar sem precisar fechar os olhos e então, veremos somente o que quisermos. Com o som, não. Eu preciso decidir se quero escutar tudo, ou nada. Não tem escolha. Só desligando o IC.”

Essa constatação tem um peso incrível. Se pararmos para pensar, quando ele fez a escolha pelo IC, depois de muitos anos de estudo e pesquisa, depois de conversar com pessoas tão importantes na nossa vida. Ele precisou, nós precisamos, decidir entre perder de vez os 10% de audicão natural em cada ouvidopara ganhar o mundo com o som mais amplo e potente que o IC oferece, ou permanecer com os seus 100% de oralizacão, mas sem ouvir a voz dos próprios filhos (o real motivo pelo qual ele fez o IC).

Libras? Faz parte da vida. É mais uma língua importante como o Inglês, o Português… Não mudou nada. Ele continua usando normalmente. Eu e nossos filhos também. Somos bilingues. O IC não afeta em nada. Bem, também usamos outras línguas, na verdade. O Lobo me chama até de ” troglodita” (mais do que bilingue e menos do que poliglota… Eu acho. hehehe) por isso.

Nesse tempo todo, o que percebo é que o IC mexe muito com uma área importante da audição: o Coração.

“Ouvir com o IC é decidir por aceitar um milagre” – o meu Cyborg Particular acaba de poetizar aqui do lado.

Ele leu parte do texto e foi falando sobre como é ruim ter que tirar o aparelho para poder entrar no mar, porque daí, se perde o som das crianças brincando, das pessoas conversando, do vento nos cabelos, da água e das ondas do mar. Ele ama o mar e seu som outrora desconhecido… Então, comecou a falar sobre como ele estudou, leu, conversou com pessoas queridas e muito importantes na nossa jornada até o IC. Lembrou do Roner Dawson, Raul Sinedino, Silvia Mara, Samuel Lima, Lak Lobato, Anahi Guedes e os amigos dos grupos de discussão antigos do Yahoo… Tanta gente que ajudou muito, mas influenciou pouco, uma vez que o espírito analítico e estudioso dele nunca permitiu se deixar levar apenas pela situacão dos outros. A grama verde dos vizinhos nunca o atraiu, apesar de interessar e inspirar muito.

Estava aqui dizendo que o momento dele foi o melhor de todos. Que já pensou como seria se tivesse feito antes. Mas, conclui que foi na hora certa, na melhor hora.

O que sei dizer é que, realmente “o som invade a gente”…

Vê-lo rir e se emocionar com um som. Logo depois lembrar o quanto isso é possível hoje, graças ao IC… Saber que tomou a decisão certa e conseguir aproveitar cada uma dessas coisas é algo inspirador.

A cirurgia envolveu ansiedade e esperança, mas nunca medo, ou insegurança. A todo momento, mesmo nos mais difíceis em que quase caimos nas garras de uma péssima profissonal, tivemos a certeza de que o controle da situação sempre esteve em nossas mãos. E tudo correu muito bem. Graças a Deus.

Quando o conheci, embora a família sempre fosse unida e carinhosa, as conversas eram limitadas e relativamente curtas. Sempre diretas e resumidas para facilitar a compreensão. Embora ele falasse muito, era notável o carinho com que todos se esforçavam para a compreensão dele fosse mais fácil do que a dureza que era na rua, onde todo surdo sabe como a dificuldade de comunicação e acessibilidade são sofridas até demais, quando tem. Tudo era feito com muito esforco e carinho, mas tinha limitações. Nessas férias, vi e ouvi risadas, imitações de sons, conversas longas, reconhecimento de vozes, brincadeiras por compreender um som engraçado… Realmente, uma festa sonora.

O brilho dos olhos de todos em volta, a serenidade de quem pode ter uma conversa sem a tensão de perguntar toda hora: “Entendeu?” e os pedidos dele para eu falar mais baixo são tesouros inestimáveis que só quem vive essa situação pelo lado de cá consegue entender.

E o som continuará a nos invadir. Atrevido, gostoso, apaixonante. Bom, ou ruim. Mas sempre invasor de corpos e eletrodos, mostrando ao cérebro que ouvir é sem pedir licenca.

Até mais.

Espero vocês para mais um papo Do Lado de Cá do IC.

 

Férias Sonoras

Está acabando um período grandioso. Hoje é o nosso último dia no Rio de Janeiro.

Passamos um bom tempo aqui e este tempo foi de (pasmem!) bastante trabalho interior e exterior. Férias mesmo, só para as criancas, na maior parte do tempo.

Pense em dias realmente produtivos.

Eu estou oficialmente de férias, mas o nosso Cyborg trabalhou e produziu muito, diligentemente, todos os dias.

Preparamos uma agenda que incluisse alguns dias de passeios e praia, mas, na maior parte do tempo, ele ficou em casa trabalhando no computador enquanto saíamos para outras atividades.

E apesar de tanto trabalho, um dia ele disse uma coisa tão interessante…

“Mas o som invade a gente, né?”

Ele estava falando de tudo o que ouvia, “mesmo sem querer”, quando estava a fazer suas ativividades, ou quando, em raros momentos programados, saíamos para a praia, para a missa, para a praça da igreja, o parquinho com as crianças. Era muito bonito de se ver.

Dos inúmeros sons que foram experimentados, conhecidos e reconhecidos, alguns pela primeira vez, houve aqueles que chamassem mais a atenção dele.

Foi lindo.

Aprendi a distinguir quando um som é realmente novo, ou quando a experiência daquele som é nova.

O olhar, o sorriso, a cara de espanto ante a novidade e a alegria de aprender uma coisa nova…

Essas férias foram mesmo fantásticas.

Uma lembrança muito feliz de abril de 2014…