Quando Ele Bate à Nossa Porta

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O Espiritismo Cristão crê nos laços de família espiritual como laços eternos e indestrutíveis a nos mostrar o sútil Amor Divino.

Esses laços atravessam o tempo e o espaço. Nascem em um passado pautado pela premissa de corrigir aquilo que se fez de errado com ou para alguém; auxiliar aquele que caiu para que a fraternidade e o amor filial/paternal/maternal/conjugal sejam o meio de reerguer uns aos outros sem a vergonha e a humilhação da hierarquia humana; aprender a amar incondicionalmente e sem qualquer interesse; e criar laços que a vida do espírito somente tratará de fortalecer porque o amor não retrocede nunca. Ele se fortalece a cada vez que caímos de joelhos e temos um irmão, irmã, pai, mãe, cônjuge, um amigo a nos dizer:”Vem comigo. Sem você não vale a pena seguir porque somos uma família. E família não deixa ninguém pra traz.”, ainda que esse “não deixar para traz” signifique o sacrifício da distância para manter e prover quem “ficou” esperando pelo retorno daquele que deixou seu coração nas mãos do ser amado para que o corpo vá buscar o alimento e o sustento da família.

Por isso mesmo, a Sagrada Família é o símbolo maior da Fraternidade Universal e do Amor de Deus.

Maria era jovem demais, solteira, vivia em um meio onde a mulher poderia (infelizmente ainda pode) morrer apedrejada apenas por causa de uma suspeita não confirmada que se tornasse fofoca. Poderia ter recorrido ao aborto tranquilamente, caso a sua recusa ao anjo não fosse levada em conta, uma vez que ele só chegou para avisar do que já estava ocorrendo e não para perguntar se ela aceitava ou recusava o Filho de Deus em seu ventre. Mas, não. Sua resposta foi: “Eis-me aqui, Senhor. Faça-se em mim, conforme a tua vontade.”

José era um homem trabalhador e honesto que não tinha  menor obrigação de acreditar em um “sonho” e muito menos em uma simples mulher. Mas, aceitou ser o pai e marido digno, que educou o Messias no trabalho duro e na disciplina para saber enfrentar os momentos futuros.

Não é à toa que as pessoas mais velhas sempre disseram que namorado se pede a Santo Antônio, que morreu solteiro e era moço rico, festeiro e sem compromisso antes de assumir  o monastério, mas marido tem que pedir para São José, bom pai, bom marido, trabalhador e honesto.

Esses laços da Sagrada Família, demonstram o quanto de responsabilidade se tem sobre aqueles que fazem parte da nossa família. E muitas vezes, da família dos outros, na qualidade de amigos queridos que passam por problemas sérios, ou daquelas famílias que, como a família de Jesus, um dia batem à nossa porta necessitando de auxílio, como se a repetir a peregrinação primitiva em busca de estalagem, um lugar para ter seu seu filho.

Nessas horas, é de se refletir se temos pelo menos um estábulo a oferecer quando Ele bate à nossa porta…

Será que batemos a porta na cara daquela mãe que busca o sustento do seu filho na última alternativa que lhe sobrou?

Será que, naquela noite, por falta de pelo menos encaminharmos aquela família, ou pessoa para o local correto onde ela possa encontrar auxílio adequado, alguém vai enveredar pelo caminho dos vícios para esquecer o frio e a dor, ou pelo dos crimes, revoltado e desiludido com a raça humana “adultera e pecadora” que lhe vira as costas quando mais precisa?

Será que, quando Jesus bater à nossa porta, feriremos mortalmente, laços criados no pretérito e esquecidos momentaneamente, cobertos pelo véu da reencarnação, com aquele que nos bate à porta, na condição de amigo problemático, parente incompreensível e impaciente, cônjuge doente nas diversas formas de doença mental, corporal, moral e espiritual a que todos nós estamos sujeitos?

Jesus bate à nossa porta, carregado no colo por seus pais a todo instante.

Às vezes, batemos a porta na cara dessa Sagrada Família e nos negamos a fazer parte dela. E então reclamamos que estamos sós, que não temos ajuda quando precisamos, mas nunca nos lembramos de como enxotamos com nosso orgulho e egoísmo, aquele nosso irmão que, em necessidade uma vez, em outra oportunidade seria nosso porto seguro de gratidão e amor a nos amparar nos momentos em que o coração sangrasse e dor fosse insuportável em condições solitárias.

Por isso, quando a Sagrada Família bater à nossa porta, deixemo-la entrar em silêncio, com grande alegria no coração. E quando ela agradecer pela acolhida, respondamos apenas: “Eu é que agradeço pela oportunidade de retribuir todo o bem que me fez.”

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