Por quê

Porque, meu Deus, porquê?

Na chegança dos meus anos

Na herança dos meus ais

Eu haverá de saber

Porque, meu Deus?

Jamais

Eu havera de entender

Sem cobrança e sem mentira

Donde vem toda essa ira

Toda dor, ah,eu havera

ia sim

Mesmo à vera

Haveria de entender

Mas a gana, como a fome

De saber que me consome

Nem num me deixa dormir

Nem num me seca o chorar

Encara-me feito onça

Cerca-me a rondar

Não se vai, nem está ali

Malina, meio sonsa

Finge que não a saibo

Consome onde não me caibo

Nas palavras que inventei

Nos abraços que não me dei

Nos beijos da solidão

Onde o olhar é feito pão

Que o dia….

Bom…

Amassou.

Angelus

Todo momento é eterno.
Embora cada instante seja o último.
Por isso, deixa, só por este instante, deixa
Que eu guarde teu cheiro, teu gosto, teu toque.

Por favor, que esta vez última,
Por este momento tão, tão sublime,
O odor que exalas, eu guarde
Que faça disso minha parte.

Que este amor, este que me exime
Do pecado, do fogo do inferno
Permita que me aproveite desta deixa
Para sentir, como se fora de súbito,

A sorte de ser vítima
Do amor que me desfoque
Da dor de ser instante e não momento.